Honda C59B Twister enfrenta a veterana Yamaha Fazer
Honda CB Twister enfrenta a veterana Yamaha Fazer 250
Se vocĂª começou a ler esse texto sĂ³ para saber qual das duas 250 cc anda mais, pode parar por aqui! Saiba que em todas as situações durante a nossa avaliaĂ§Ă£o, a nova Honda CB Twister saiu na frente da Yamaha Fazer 250. AtĂ© mesmo em retomadas de velocidade, a nova Honda deixou a veterana Yamaha para trĂ¡s.
Dada esta informaĂ§Ă£o, que nĂ£o chega a ser fundamental, o fato Ă© que a Fazer, com seus dez anos de estrada, finalmente encontrou uma concorrente Ă altura. Embora sinta o peso da idade, o projeto Yamaha ainda oferece caracterĂsticas para se manter na briga por mais algum tempo.
Foi isso que mostrou nosso comparativo, quando rodamos com os modelos de 250cc na cidade e por mais de 200 km na estrada, alternado entre rodovias sinuosas de pista simples e largas auto-estradas para avaliar como Fazer e Twister se saĂam em diversas situações. Os pilotos tambĂ©m se revezaram ao guidĂ£o das motos vĂ¡rias vezes.
Comparativo “estĂ¡tico”
Logo de cara, o modelo 2016 da Fazer Blueflex sai em desvantagem por nĂ£o trazer a opĂ§Ă£o de freios ABS. Na “tabela”, a Fazer flexĂvel sai por R$ 13.620, contra R$ 13.050 da nova Honda, tambĂ©m bicombustĂvel, mas sem ABS. Entretanto a unidade da nova CB Twister, avaliada, tinha o sistema antitravamento e o preço sugerido de R$ 14.550.
A repaginada na Fazer para 2016 trouxe novas aletas no tanque e uma moldura no farol, alĂ©m de um painel inĂ©dito. A unidade testada tinha uma bonita cor cinza fosca e grafismos elaborados – mesmo assim, o modelo Yamaha parece um velho conhecido. JĂ¡ a Twister tem um desenho totalmente novo, inspirado na irmĂ£ maior, a CB 500F. O design agressivo Ă© complementado por rodas e pneus mais largos.
Assim como a Twister, a Fazer adotou lanterna traseira com LED, em formato pontiagudo e de boa visibilidade. As duas usam tampas de abastecimento articuladas, tipo “aviaĂ§Ă£o”, e tĂªm bom acabamento, com comandos ergonĂ´micos e simples nos punhos.
PorĂ©m, o painel da Honda se sobressai. Maior e escuro como as telas de smartphones, o mostrador da Twister Ă© mais fĂ¡cil de visualizar os dados. Na Fazer as informações aparecem em preto, com iluminaĂ§Ă£o por LEDs, e a luz “Eco”, que indica pilotagem econĂ´mica ao rodar em giros mais baixos – e marchas mais altas. PorĂ©m, o painel da Yamaha carece de algum acabamento, e parece ter sido adaptado ali. O mostrador da Twister conta com molduras nas laterais.
Em cima das 250cc
Na Fazer o banco tem formato anatĂ´mico – bom para deslocar o corpo em curvas – e Ă© confortĂ¡vel. PorĂ©m, a base do tanque mais larga faz com que o piloto rode com as pernas mais abertas. Na Twister, o chassi Ă© mais esguio e os joelhos ficam colados ao tanque. O modelo Honda tem banco mais baixo e um pouco mais “duro”, com 78,4 cm do solo (contra 80,5 cm da Yamaha).
Na Fazer o guidĂ£o fica mais para frente; o da Honda, mais recuado, permite uma posiĂ§Ă£o de pilotagem com as costas mais retas. Ambas sĂ£o motos pouco indicadas para pessoas acima de 1,80 m, mas confortĂ¡veis, com uma vantagem para a Yamaha, em funĂ§Ă£o do banco mais aconchegante.
CiclĂstica
Sistemas de suspensĂ£o sĂ£o semelhantes: dianteira com bengalas telescĂ³picas sem ajustes e balança traseira monoamortecida. PorĂ©m, muda bastante os ajustes dos sistemas e a ancoragem do amortecedor traseiro Ă balança. Enquanto a Yamaha usa um link, a Honda optou por usar duas molas no amortecedor que Ă© fixado diretamente Ă balança: a mola menor amortece obstĂ¡culos menores, e outra mais comprida “segura” os maiores impactos.
Resultado Ă© maior progressividade na Fazer, que pode se mostrar atĂ© macia demais. Na Honda, no entanto, se elimina manutenĂ§Ă£o posterior; tanto a de engraxar os rolamentos do sistema, como de trocĂ¡-los.
Nas diversas curvas de raio mais fechado, ambas se mostraram competentes. No entanto, com pneus mais largos (sem cĂ¢mara e radial) e a suspensĂ£o mais rĂgida, a Honda transmite mais confiança. PorĂ©m, a Fazer absorveu desnĂveis de pista, com mais “maciez” do que na Honda.
Ambas adotam sistemas de freio a disco simples nos dois eixos. Bem modulados, garantem paradas seguras, mas com uma vantagem para a Twister, em funĂ§Ă£o da segurança do ABS e de uma resposta mais instantĂ¢nea.
Motor: duas ou quatro vĂ¡lvulas?
O comando de vĂ¡lvulas simples acionando quatro vĂ¡lvulas volta a ser usado pela Honda. Antes disso, tanto a antiga Twister de 250 cc como a CB 300, tinham como base o motor de duplo comando DOHC – que rendia melhor em altos giros. O novo motor SOHC da Twister gera potĂªncia maior (22,6 cv a 7.500), bem como torque superior, de 2,28 kgfm a 6.000 rpm - ambos usando etanol. JĂ¡ o Yamaha de duas vĂ¡lvulas rende 20,9 cv a 8.000 rpm e 2,1 kgf.m a 6.500 rpm, tambĂ©m com o combustĂvel vegetal.
Deixando nĂºmeros e medidas de lado, fato Ă© que na prĂ¡tica, o tira-teima foi (em parte) decidido pelo cĂ¢mbio de seis marchas da Twister, frente as cinco da transmissĂ£o da Fazer. Bem escalonada, a caixa da Honda permite acelerar e retomar velocidade de forma mais racional. Muito embora quem nĂ£o goste de cambiar (e vai fazer uso sobretudo urbano), vai preferir a Fazer e sua boa dose de força nas cinco marchas.
Suave e elĂ¡stico, o motor da Honda acaba conseguindo entregar a mesma força que a Yamaha. Ou seja, na faixa de uso mais comum na cidade, entre 3.000 e 5.000 rpm, consegue ser tĂ£o ou mais esperta que a Fazer, que se mostrou um pouco lenta para ganhar rotaĂ§Ă£o. Ambas pesam 137 kg a seco e sĂ£o Ă¡geis nos desvios de trajetĂ³ria e ao transitar em corredores urbanos.
Na estrada
Em rodovias rĂ¡pidas, a diferença de desempenho chega a ser gritante: a 100 km/h em Ăºltima marcha, a Fazer estĂ¡ perto de 6.600 rpm, contra 6.000 rpm da Honda. A vibraĂ§Ă£o da Fazer acaba sendo maior, e a moto fica “esgoelada” pela quinta marcha: o corte eletrĂ´nico aparece a 147 km/h no velocĂmetro e 10.000 rpm, porĂ©m a velocidade real fica aquĂ©m disso. Na CB Tiwster, o corte acontece a 149 km/h e a 10.500 rpm, mas a impressĂ£o Ă© de atingir 10 km/h a mais de mĂ¡xima.
Com diversas trocas de pilotos (os quais tinham variaĂ§Ă£o de 16 kg de peso), a Twister acabou levando a melhor: em diversas passagens feitas na rodovia, o conjunto motor/cĂ¢mbio da Honda rendeu mais e se mostrou mais disposto em giros altos, deixando a Yamaha para trĂ¡s.
Com tanques grandes o resultado de autonomia (e consumo) Ă© animador. Na Twister cabem 16,5 litros enquanto a Yamaha tem capacidade para 18,5 litros. Com gasolina, a Twister rodou 33,97 km/litro, enquanto a Fazer chegou a 30 km/litro.
ConclusĂ£o
Ao final do comparativo, a nova CB Twister mostrou ser um projeto mais moderno e superior. Tanto visualmente, como pela mecĂ¢nica mais esperta, acompanhada da caixa de seis marchas. PorĂ©m, a Yamaha oferece bastante conforto e excelente desempenho urbano, alĂ©m de uma mecĂ¢nica colocada Ă prova ao longo de uma dĂ©cada de estrada. Entretanto, a Fazer mostrou que jĂ¡ começa a sentir o peso da idade.
Pneus: com ou sem cĂ¢mara?
Durante o trajeto o pneu da Twister furou, mas conseguimos levar a moto rodando atĂ© um posto com borracharia. LĂ¡ notamos que havia um corte com cerca de 2 cm, bem entre as bandas de rodagem – e que esvaziava o pneu rapidamente. Como se trata de um pneu sem cĂ¢mara (Pirelli Diablo Rosso II radial), o remendo com “macarrĂ£o” foi simples e rĂ¡pido, permitindo seguir viagem sem problema algum. PorĂ©m, a Pirelli adverte: “Recomendamos o conserto de pneus sem cĂ¢mara utilizando os reparos tradicionais (remendos ou plugs), desde que o furo esteja limpo e preenchido. O uso do macarrĂ£o Ă© indicado para consertos temporĂ¡rios e emergenciais e deve, assim que possĂvel, ser substituĂdo pelo reparo tradicional.”
Se fosse um pneu com cĂ¢mara, seria necessĂ¡rio tirar e desmontar a roda para verificar (e remendar ou trocar) a cĂ¢mara. O borracheiro disse “adorar a soluĂ§Ă£o”, e de quebra completou: “cĂ¢mara Ă© coisa de pobre, atĂ© mesmo bicicletas das boas jĂ¡ usam pneus sem cĂ¢mara”. O conserto custou R$ 30, menos do que Ă© cobrado por cĂ¢maras novas; muitas vezes difĂceis de encontrar na beira da estrada.
Fichas Técnicas
Honda CB Twister ABS
Motor: MonocilĂndrico, OHC, quatro vĂ¡lvulas, arrefecido a ar com 249,5, cm³
DiĂ¢metro x curso: 71,0 x 63,0 mm
Taxa de compressĂ£o: 9.6: 1
PotĂªncia mĂ¡xima: 22,4 cv a 7.500 rpm (gasolina) / 22,6 cv a 7.500 rpm (etanol)
Torque mĂ¡ximo: 2,24 kgf.m a 6.000 rpm (gasolina ou etanol
CĂ¢mbio: seis marchas
CĂ¢mbio: seis marchas
TransmissĂ£o final: Corrente
AlimentaĂ§Ă£o: InjeĂ§Ă£o eletrĂ´nica
Partida: Elétrica
Quadro: Tipo diamante em aço
SuspensĂ£o dianteira: Garfo telescĂ³pico (convencional) com 130 mm
SuspensĂ£o traseira: mono-amortecida com mola dupla e 108 mm de curso
Freio dianteiro: Disco de 276 mm de diĂ¢metro
Freio traseiro: Disco de 220 mm de diĂ¢metro
Pneus (radial/sem cĂ¢mara): 110/70-17 (diant.) e 140/70-17 (tras.)
Comprimento: 2.065 mm
Largura: 753 mm
Altura: 1.072 mm
DistĂ¢ncia entre-eixos: 1.386mm
DistĂ¢ncia do solo: 192 mm
Altura do assento : 784 mm
Peso a seco: 137 kg
Tanque de combustĂvel: 16,5 litros
Cores: Vermelha (Ăºnica cor disponĂvel para a versĂ£o ABS)
Preço : R$ 14.550
Yamaha Fazer 250 BlueFlex
Motor: MonocilĂndrico, 249,45 cm³, OHC, duas vĂ¡lvulas, refrigerado a ar
DiĂ¢metro x curso: 74,0 x 58,0 mm
Taxa de compressĂ£o: 9.8: 1
PotĂªncia mĂ¡xima: 20,7 cv a 8.000 rpm (gasolina) / 20,9 cv a 8.000 rpm (etanol)
Torque mĂ¡ximo: 2,09 kgf.m a 6.500 rpm (gasolina) / 2,10 kgf.m a 6.500 rpm
CĂ¢mbio: Cinco marchas
TransmissĂ£o final: Corrente
AlimentaĂ§Ă£o: InjeĂ§Ă£o eletrĂ´nica.
Quadro: Berço duplo em aço
SuspensĂ£o: dianteira Garfo telescĂ³pico com 120 mm de curso
SuspensĂ£o traseira: Balança monoamortecida com 120 mm de curso
Freio dianteiro: Disco de 282 mm de diĂ¢metro
Freio traseiro: Disco de 220 mm de diĂ¢metro
Pneus (diagonal sem cĂ¢mara): 100/80-17 (diant.)/130/70-17 (tras.)
Comprimento: 2.065 mm
Largura: 745 mm
Altura: 1.065 mm
Entre Eixos: 1.360 mm
Altura MĂnima do Solo: 190 mm
Altura do assento: 805 mm
Tanque: 18,5 litros (4,0 l na reserva).
Peso a seco: 137 kg
Preço: R$ 13.620



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